4º Domínio - O MAABE: metodologias de operacionalização (parte I)

PARTE 1

 Identificação do domínio:


Domínio A.2 – Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e Digital


 Análise dos indicadores:


- de processo: A.2.1 – Organização de actividades de formação de utilizadores na escola;


- de impacto: A.2.5 – Impacto da BE no desenvolvimento de valores e atitudes indispensáveis à formação da cidadania e à aprendizagem ao longo da vida.

            “As mudanças sociais e tecnológicas ocorridas nos últimos anos conduziram a um tipo de sociedade que é hoje consensualmente designada por sociedade da informação. (…) A escola e as bibliotecas não podem ignorar os novos desafios que se lhe colocam quando os locais e as formas de aprendizagem são tão diversificados, quando o papel impresso não é já o único suporte de informação, quando o acesso à informação se pode fazer de formas tão diversas que o próprio conceito de biblioteca é posto em causa e ganha terreno a ideia da “biblioteca virtual”. “ (Calixto, 1996)
            É neste contexto em mudança que a biblioteca escolar se deverá insurgir como um recurso fundamental de qualquer sistema educativo cuja prioridade deverá ser proporcionar “habilidades de informação” aos seus alunos. Ajudar os alunos a pesquisar, avaliar, manusear, serem produtores de informação deverá ser uma das finalidades da biblioteca escolar. Esta deverá ser o centro do desenvolvimento curricular, tendo em conta que deverá sempre promover as Literacias da Informação, Tecnológica e Digital. Por conseguinte, “os fins de uma biblioteca escolar multimédia são os de apoiar os programas gerais da escola no desenvolvimento das capacidades de leitura, visionamento e audição, o apoio às actividades curriculares e à produção de documentos” (Calixto, 1996). Além do mais, "Está demonstrado que, quando professores e bibliotecários trabalham em conjunto, os estudantes atingem maiores níveis de literacia, de leitura, de capacidade de resolução de problemas, bem como que adquirem competências de informação e comunicação." (Manifesto das Bibliotecas Escolares da IFLA/UNESCO 2000).
            Todas estas capacidades e competências compreendem as várias literacias do momento presente. É então cada vez mais importante que as BE’ s demonstrem o seu contributo para a aprendizagem e o sucesso educativo dos alunos. Todo este impacto no ensino e aprendizagem é passível de ser “medido”, validado e consolidado através da auto-avaliação. Esta deve ser interpretada como uma componente natural da actividade e gestão da BE, sempre tendo em vista a melhoria de resultados da sua acção e envolver e mobilizar vários agentes educativos. A auto-avaliação tem de ser considerada uma boa - prática e ser sempre orientada por um conjunto de evidências que “relatem” o impacto e o valor que a BE tem nos seus utilizadores.
           Relativamente ao indicador A.2.1, este ocupa um lugar importante numa BE, na medida em que o valor atribuído pelos utilizadores à sua interacção com a BE é a pedra-de-toque da existência de uma biblioteca escolar. Motivar, esclarecer e ensinar a utilizar os vários serviços disponíveis, criar uma espécie de “Intranet” (entenda-se “elo natural de confiança e ligação”) que seja catalisadora de uma aceleração positiva na aquisição de competências e autonomia. Na minha biblioteca, adiantei-me ao Estudo Acompanhado e produzi materiais de apoio ao estudo tais como “Como consultar um dicionário/enciclopédia?”, “Como apresentar um trabalho escrito?”, “Como elaborar um trabalho de pesquisa?” ou o esclarecimento do “Significado dos Verbos utilizados nos testes.” No Dia/Semana da Biblioteca Escolar em Portugal, a 26 de Outubro, para as turmas de 5º ano e 1º ano dinamizei as seguintes actividades: uma visita guiada à BE para os alunos do 5º ano acompanhados pelos docentes de Estudo Acompanhado para o visionamento de um vídeo sobre a organização e gestão do espaço da biblioteca e a leitura de um livro digital sobre a Gripe A - 2009 – “O Nuno escapa à Gripe A”; uma visita guiada à BE para os alunos do 1º ano acompanhados pelas respectivas docentes e a Animadora Sócio - Cultural para conhecerem o espaço da BE/CRE e o seu funcionamento e ouvirem, em suporte multimédia, a “História do Dia”.
              Quanto ao indicador A.2.5, considero-o como tendo grande relevância na vida da BE, uma vez que esta também deve ter como meta final a mobilização dos seus utilizadores para a concretização de um código de postura e conduta promotores da cidadania e da aprendizagem ao longo da vida. Na minha BE todos os factores críticos de sucesso apontados para este indicador são perfeitamente observáveis. Além do mais, e no sentido de envolver os alunos na vida da BE, criei a figura do “Aluno Monitor de Informática” que auxilia os seus pares ao nível das TIC e os ajuda a adquirir, não só competências tecnológicas, mas também valores como a cooperação, a responsabilidade e a convivência.

PARTE 2
 Plano de Avaliação – reflexão sobre a natureza e o conteúdo do domínio e indicadores escolhidos
            Como o principal desafio colocado pelo MAABE é a avaliação dos impactos sobre os utilizadores, é necessário que este processo cumpra alguns passos, entre os quais se destaca a elaboração de um Plano de Avaliação.

           Na abordagem aos dois indicadores por mim escolhidos e acima retratados, já mencionei o tipo de medidas que empreendi. Por conseguinte, vou agora debruçar-me sobre os métodos e instrumentos a utilizar, o tratamento da informação e a definição de acções de melhoria.
           Para o indicador A.2.1, utilizaria como método principal o registo em grelhas de observação das actividades de aprendizagem realizadas, bem como grelhas de análise dos trabalhos escolares dos alunos e o informal feedback. Como instrumentos de recolha de evidências, optaria pelos seguintes: recolha documental de registos de planeamento e das actividades da BE, produção de materiais e observação de utilização da BE. Todos os dados recolhidos seriam analisados e trabalhados por mim e pela Equipa da BE, sendo assim efectuada uma análise da performance da BE de acordo com os standards estabelecidos. As acções de melhoria seriam aquelas sugeridas pelas tabelas.
          Para o indicador A.2.5, recorreria também à grelha de observação de utilização da BE, a questionários para os alunos e docentes e a documentos que definem a política de gestão da BE, sobretudo o seu Regimento, e ao focus group para conseguir uma opinião sobre a performance do aluno monitor. As acções de melhoria seriam também aquelas sugeridas pelas tabelas.
            Todos estes resultados seriam registados no Relatório Anual da Biblioteca Escolar e seriam utilizados internamente na auto-avaliação da escola e fonte de informação para a avaliação externa.


BIBLIOGRAFIA:
 CALIXTO, José António (1996) – A Biblioteca Escolar e a Sociedade da Informação. Lisboa: CAMINHO da Educação;
 RBE (2009) – Modelo de Auto-Avaliação da Biblioteca Escolar (versão actualizada).
 Texto da sessão – O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas escolares: metodologias de operacionalização (Parte I).

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